❝Por muitos séculos o ocidente se esforçou por demonizar a magia natural da mulher, desfigurar a curandeira e deformar o papel do sacerdócio feminino.

Como resultado deste processo, sedimentou-se a figura da bruxa como alguém feia e maligna, visão que agora tem cedido lugar à uma realidade bem mais luminosa.

A bruxa, em seu mais puro aspecto, é ministra das forças naturais e fiel depositária da tradição familiar, circular, intuitiva.

No imaginário popular predominava a mulher amarga, mentirosa e vingativa, hoje redescobrimos que, em verdade, aquela velha senhora era e é nossa irmã, mãe, mentora e maga.

Sua velhice não é velhacaria, suas intenções, ações e projeções não escondem armadilhas e sua arte é de nascimento, cura e crescimento.

A varinha é sua força de vontade, seu caldeirão o receptáculo de emoções, seu chapéu a conexão com a Consciência Cósmica, sua vassoura a conexão com o Plano Astral e seus pés descalços dançando sobre o sagrado solo das florestas a conexão com a Consciência Telúrica.

A bruxa, em suas múltiplas nomeações, é a xamã do planeta, filha da terra e consorte dos ventos que, vestida de céu, une o visível com o invisível na singeleza de suas penelas, ervas, rezas e crenças.

Viva! Viva a magia natural, minimalista, doméstica e espontânea que desconhece tratados teológicos, instituições eclesiásticas, sofismas filosóficos e cadeias canônicas! Viva!❞

Caciano Camilo Compostela,